Processo de inovação: da ideia ao protótipo funcional

Tudo começa com uma ideia, e nem todas as ideias acabam num produto. O processo de inovação é um interessante percurso de geração de ideias, discussão, pesquisa e triagem, culminando no desenvolvimento de um protótipo funcional – que pode ainda ser afinado ou completamente repensado de acordo com o objetivo pretendido. 

Cada projeto é único, mas o sistema de inovação que usamos tem como base estas fases:

  1. Brainstorming
  2. Estudo de mercado
  3. Modelação 3D
  4. Discussão do progresso
  5. Desenvolvimento e revisões
  6. Produção física
  7. Finalização
Processo de Inovação e Prototipagem

Fase 1 do Processo de inovação:

Brainstorming

O brainstorming é um exercício criativo de procura de ideias sem qualquer análise ou julgamento das ideias que surgem.

Durante este exercício, não se ponderam dificuldades técnicas ou de orçamento, possíveis reações do público ou outros elementos da equipa, calendários, fornecedores, etc. A qualidade de uma ideia não é posta em causa neste momento e isto cria um ambiente aberto, de confiança e boa comunicação, propício à partilha e ao pensamento livre que leva, muitas vezes, às melhores soluções. É comum aparecerem ideias que poderiam não ser tão interessantes, mas que despertam outros conceitos e sugestões de outro elemento da equipa que se revelam como excelentes pontos de partida para a solução que é depois selecionada como vencedora.

Para o processo de inovação, a sessão de brainstorming deve começar com diretrizes que estabelecem o ponto de partida e o objetivo a que se pretende chegar. Quando procuramos ideias para novos produtos ou serviços (ou, até, ambos), a melhor forma de começar a sessão de brainstorming é definindo qual o problema que queremos resolver, ignorando qualquer forma específica. 

Pondo-nos no lugar do nosso público-alvo, identificamos:

  • Qual a necessidade a que queremos responder
  • Qual é o sentimento que essa situação atualmente gera
  • Quais as suas consequências
  • Qual o impacto que queremos conseguir com uma solução
  • Que benefícios queremos alcançar.

Por exemplo, se a necessidade do nosso público-alvo for ter um estilo de vida mais saudável, um serviço pode ser o de acompanhamento nutricional, enquanto um produto pode ser pequenos equipamentos de exercício para não ter de ir ao ginásio. Cada uma destas opções responde ao mesmo problema de forma diferente, e são exemplos simples da variedade de sugestões que podem surgir numa sessão se o problema estiver bem definido, mas não há limites para o tipo de soluções que podem ser registadas.

Pro Tip: um novo produto ou serviço não tem de se limitar a ideias que resolvam o problema identificado. Tendo bem claro qual o problema e as várias formas como este interfere na vida dos nossos clientes, podem surgir soluções muito mais interessantes para lidar com alguma das consequências desse problema ou para o evitar completamente

Por exemplo, continuando na necessidade do nosso público-alvo de ter um estilo de vida saudável, mobiliário de escritório ergonómico é uma forma de minimizar os impactos negativos de um estilo de vida mais sedentário, enquanto um serviço de take-away de comida saudável pode responder à falta de tempo, um argumento comum para a falta de exercício ou confeção de refeições mais adequadas.

A sessão de brainstorming vai gerar várias ideias, e cada uma pode levar a outras em direções completamente distintas. Umas podem resultar em serviços, outras em produtos das mais variadas funções.

No final, a pessoa responsável pela sessão deve analisar todas as ideias apresentadas consoante alguns fatores como: adequação ao objetivo definido, impacto potencial para o cliente, facilidade de desenvolvimento, custos de produção, entre outros.

 

Esta é apenas a primeira fase do processo de inovação, e pode ser tão extensa ou limitada quanto o projeto exigir, de acordo com o nível de informação inicial que estiver disponível e os objetivos definidos para a sessão. Com o desenvolvimento do processo de inovação, outras sessões de brainstorming podem ser necessárias para casos mais específicos como funcionalidades a incluir e forma do produto tendo em conta aspetos visuais e de utilização.

Analisadas as ideias e selecionadas a(s) mais promissora(s), passamos depois à próxima fase.

Fase 2 do Processo de inovação:

Estudo de mercado

Esta fase pode ser feita antes da sessão de brainstorming, ainda que a nossa equipa prefira que seja feita depois, porque tende a limitar um pouco o pensamento criativo – sem sabermos o que existe ou não, não nos focamos numa direção em particular nem num modelo específico, e as opções são virtualmente ilimitadas.

Tendo já claro qual o objetivo (o problema resolver), procuramos o que já existe no mercado para perceber com o que estamos a concorrer – e se há espaço para mais intervenientes.

Uma forma de perceber se há espaço para a nova ideia é verificando:
  • Quão comum é o problema?
  • Que soluções existem?

Quando o problema é bastante comum, é de esperar um elevado número de soluções a preços acessíveis. Os preços acessíveis indicam que existem tantas soluções que cada produto/serviço tem de competir, até certo ponto, pelo preço. Há exceções, claro, mas esta é uma indicação clara de que uma abordagem ao mesmo problema pode não ser necessária, e qualquer novo produto/serviço tem de ser completamente diferente e com mais valor para o cliente.

A inovação vem de perceber quais as falhas que existem no mercado (quais os produtos existentes e que problemas estes não resolvem), identificando quais as qualidades que queremos integrar no novo produto. Pode haver procura de uma marca com valores mais alinhados com os do público-alvo, que responda a um problema “escondido” ou pouco falado na comunidade, mas que todos os seus elementos sentem, ou entrar numa classe de luxo em determinado nicho.

Pro Tip: havendo alternativas no mercado, perceber o que o público pensa sobre os produtos é uma grande vantagem. Os testemunhos por vezes abordam as próprias funcionalidades e utilização do produto. Locais para procurar estas informações são sites gerais como o Google My Business, Amazon, e em fóruns, onde as empresas não têm muito controlo sobre o que é publicado. 

Depois de uma pesquisa sobre o que existe, voltamos a reunir para debater o que encontrámos e definir os detalhes do protótipo. Devemos já ter definido o que o público procura porque queremos que o produto seja completamente distinto, mais intuitivo e com mais impacto nos utilizadores do que qualquer concorrente… ou criar uma categoria completamente nova.

Fase 3 do Processo de inovação:

Modelação 3D

Antes de começarmos o desenvolvimento digital, identificamos os materiais a utilizar, tanto para o protótipo como para o produto final. Ainda que possa sofrer alterações, definir quais os materiais e os métodos de produção física é importante na fase de modelação por computador. As formas e detalhes são construídas para serem compatíveis com a impressão 3D por exemplo, para que o modelo digital seja o mais aproximado possível.  

Tendo já definido o método de prototipagem, começamos a modelação com base nos objetivos definidos, integrando as características distintivas para o Minimum Viable Product

Nesta fase, o desenho digital é um rascunho do que vai ser o protótipo, queremos apenas ter uma ilustração do que pode ser para mostrarmos ao resto da equipa, focado na funcionalidade. 

Processo de Inovação - CNC

A modelação 3D permite-nos testar várias versões, no caso de termos identificado características incompatíveis ou de querermos ter um produto mais complexo e outro mais simples, para diferentes segmentos. E é menos dispendioso fazer iterações digitais do que físicas, pelo que é a melhor altura para testar variações do produto. 

Fase 4 do Processo de inovação:

Discussão do progresso

A meio do processo de inovação reunimos com toda a equipa (ou com o cliente) para discutir o que foi feito até esta fase, desde a determinação dos objetivos, o que existe no mercado e as nossas propostas para o protótipo.  

Esta reunião permite confirmar se o rumo do projeto se mantém ou se é preciso rever alguma base. Analisar o projeto com um modelo tridimensional dá uma perspetiva completamente diferente, resultando em reações muito mais alinhadas com os objetivos e como se pretende seguir.  

Neste sentido, a componente estética do projeto é agora discutida em maior detalhe, para orientar o resto da fase de desenvolvimento do modelo digital. Ponderam-se cores, texturas e interação, tendo em conta o que gera maior empatia e interesse no público-alvo.  

É também nesta altura que são discutidos detalhes da produção do produto final, para que sejam tidos em conta na finalização do protótipo. A produção por moldes, por exemplo, tem limitações diferentes da produção por impressão 3D, e o tipo de materiais influencia também o que pode ou não ser integrado no produto. 

Processo de Inovação - Impressão 3D

Fase 5 do Processo de inovação:

Desenvolvimento e revisões

Depois da análise do modelo 3D digital de rascunho há o desenvolvimento completo do modelo para produção do protótipo, tendo em conta todos os objetivos estéticos e de funcionamento definidos na última reunião. 

Para definir a quantidade de revisões que fazemos até finalizar o modelo digital temos em conta a complexidade do produto, a quantidade de versões a testar e se vão ser feitos testes e simulações de performance virtuais antes da produção. No entanto, limitamos sempre o número de revisões de acordo com o projeto, pois o perfecionismo pode ser um entrave difícil de ultrapassar.  

Pro Tip: para evitar cair no excesso de perfecionismo, analisamos o modelo que temos e comparamos com os objetivos do projeto. Um protótipo serve para testes, pelo que se o modelo corresponde aos objetivos nesta fase, passar à fase seguinte não tem de ser definitivo e é sempre possível afinar. Testes ao modelo físico dão informações mais fidedignas sobre que alterações é preciso fazer.  

A simulação digital permite-nos antecipar pontos a ter em conta, como a colisão imprevista de componentes, testes de hidrodinâmica ou resistência, etc. No entanto, há aspetos que só nos deparamos quando temos o protótipo físico.

Um modelo digital é um elemento importante do ponto de vista estratégico para a empresa. Com ele é possível avançar para pedidos provisórios de patente, criar imagens e vídeos/animações do produto para apresentar a investidores, potenciais clientes e parceiros, divulgação em vários meios de comunicação, etc. São particularmente relevantes para pré-vendas, aprovação de financiamento de desenvolvimento e proteção intelectual.

Fase 6 do Processo de inovação:

Produção física

Chegamos à fase de produção do modelo físico, onde podemos finalmente mexer no produto que criámos. Para nós, A impressão 3D e a fresa CNC são as tecnologias de prototipagem rápida de referência, que permitem ter as peças em poucos dias – ou fazer os moldes para as peças em poucos dias.  

Não há nada como ter o protótipo físico e ver como fica à nossa frente, porque nos dá uma noção diferente de como funciona. Podemos fazer todos os testes desde o consumo, desempenho e até provas de conceito e utilização junto dos clientes, consoante a fidelidade pretendida para o protótipo físico.  

A fidelidade do protótipo depende dos testes a realizar:

  • para testes de funcionamento mecânico pode ser preciso um modelo simples dos componentes essenciais; 
  • se for para uma campanha de crowdfunding, pode ser suficiente um protótipo que mostre o aspeto exterior; 
  • já para provas de conceito e utilização em contextos reais, o protótipo terá de ser quase idêntico ao modelo final.  
Impressão 3D Algarve filamento petg

Assim, cada tipo de protótipo tem custos e finalidades diferentes, permite-nos obter novas informações a ser integradas numa nova iteração. A vantagem da prototipagem é a facilidade em fazer iterações rapidamente e mais acessíveis do que com métodos de fabrico industrial. Se for preciso, voltamos ao modelo digital, implementamos as mudanças desejadas e em pouco tempo temos um novo protótipo. 

Fase 7 do Processo de inovação:

Finalização

O fim do processo de inovação não é mais que o início de uma nova fase para o projeto. Cada projeto tem o seu objetivo, e cada protótipo serve um propósito específico, mas alguns passos a seguir ao processo de inovação são:

  • Registo de patente / Pedido de patente provisória no INPI
  • Produção de material de divulgação do produto (audiovisuais, escritos, etc)
  • Contacto com fabricantes para produção em série
  • Participação em concursos de ideias de negócios / competições entre empresas
  • Lançamento de campanha de crowdfunding
  • Contacto com investidores / instituições financeiras

“Good ideas are always crazy until they are not.”

 – Elon Musk 

Fale com a nossa equipa: